Opresidente eleito dos EUA, Barack Obama, escolheu o secretário de agricultura do seu governo. O contemplado foi Tom Vilsack, ex-governador de Iowa (no detalhe), o Estado central da produção de milho e etanol. Segundo Vilsack, “o impulso as energias alternativas, como etanol de milho, é a chave para impulsionar as áreas rurais dos EUA”. No entanto, a curto prazo a escolha não deve beneficiar o Brasil. “Com o barril de petróleo a US$ 40, este homem vai querer mais subsídios e menos combustível brasileiro”, diz Roberto Rodrigues, ex-ministro da agricultura.

PESCA

Nova lei deve favorecer o setor

Demorou, mas, depois de dez anos, foi aprovada no Senado Federal a Lei 29/2003 que regulariza o setor de pesca no Brasil. Com ela, o setor passa a ser enquadrado no agronegócio e passará a se beneficiar das políticas de crédito rural. “Estamos montando as condições institucionais para criar a cadeia produtiva do pescado no Brasil, assim como há a do boi e a do frango”, diz Altemir Gregolin, ministro da Pesca.

VINHEDOS

Cadastro mostra expansão

O Cadastro Vitícola lançando no Rio Grande do Sul traz um levantamento dos vinhedos gaúchos de 2005 a 2007. Os dados apontam uma evolução da área plantada em torno de 4%, o que corresponde ao total de 38,5 mil hectares. Neste período, os municípios de Candiota, Cristal do Sul e Rosário do Sul, que não tinham a uva como cultura, ingressaram na produção.

POLÍTICA AGRÍCOLA

CNA quer transparência

Anova presidente da CNA, a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), quer que os produtores tenham mais transparência contábil. Segundo ela, a maior rigidez no crédito e as dificuldades na comercialização exigem do agricultor uma maior organização das contas. “Como posso dizer que não tive renda, se não tenho um balanço”, diz. Com isso, a meta é facilitar o acesso ao crédito.

TRANSGÊNICOS

80% da soja da UE é transgênica

Aconsultoria Céleres fez um levantamento das importações de soja e farelo de soja para a União Européia e constatou que não existe restrição ao consumo do grão transgênico. Os dados remetem aos últimos 10 anos e foram colhidos juntos aos principais exportadores (Brasil, Argentina e EUA). A previsão é de que, no cômputo final, a UE feche 2008 com a importação de 80% de soja transgênica.

OPORTUNIDADE

Louis Dreyfus quer mais

Enquanto a maioria das usinas enfrenta um dos piores momentos do setor, o grupo francês Louis Dreyfus enxerga este período como uma chance de expandir seus negócios. Segundo Bruno Melcher, presidente do conselho da Louis Dreyfus Commodity (LCD), “o setor oferece um número grande de oportunidades. Estamos de olho”. Recursos é o que não falta. A LCD tem praticamente US$ 1 bilhão para investir no País até 2010.

SEMENTES

Parceria de titãs

Duas gigantes do agronegócio estão unindo forças para aumentar a participação no mercado de produtos para o tratamento de sementes. Estamos falando da Syngenta e da Dow AgroSciences. O objetivo é maximizar o vigor e a produtividade nas lavouras por meio da sinergia entre as atividades da área química das duas empresas.

CRÉDITO

Alento aos produtores

As agroindústrias e os beneficiadores de café poderão contar com a elevação do limite de crédito nas operações de Empréstimos do Governo Federal (EGF) e da Linha Especial de Crédito (LEC). Os limites foram ampliados de R$ 10 milhões para R$ 15 milhões, de acordo com o Conselho Monetário Nacional (CMN). Para os produtores e cooperativas, foi alterado o prazo para pagamento dos empréstimos das operações de estocagem. O CMN autorizou mais 360 dias para o reembolso desta linha, com vencimentos entre 17/12/2008 e 30/4/2009.

ALIMENTOS

Mussarela adulterada

O ápice do verão coincide com a entressafra da produção de leite de búfala. O motivo é a redução de nascimento de filhotes neste período do ano. Por isso, a Associação Brasileira de Criadores de Búfalo pede para os consumidores ficarem atentos. Nesta época do ano, é comum os produtores misturarem leite bovino com leite de bubalino. Para escapar da fraude, a tática é procurar pelo Selo Pureza 100% búfalo.

CITRICULTURA

Laranja em baixa

O Instituto de Economia Agrícola (IEA) de São Paulo revisou para baixo a previsão de produção de laranja na safra 2008/2009. Os dados apontam para uma safra que renderá 360 milhões de caixas de 40,8 quilos, 2,2% a menos do que a estimativa anterior e 1,6% abaixo do montante realizado no ciclo 2007/2008. Segundo o IEA, 360 milhões de caixas serão esmagados para a produção de suco e 54 milhões de caixas serão destinados ao consumidor final.

ORGÂNICOS

Sai a regulamentação da produção

No final do ano passado, saiu a Instrução Normativa 64 com o regulamento técnico para os Sistemas Orgânicos de Produção Animal e Vegetal. O objetivo é estabelecer as normas a serem seguidas por toda pessoa física ou jurídica responsável por unidades ou sistemas orgânicos de produção. Na área animal, estão definidas normas técnicas para os sistemas de produção de bovinos, bubalinos, ovinos, caprinos, eqüinos, suínos, aves, coelhos e abelhas. Já o regulamento para aqüicultura orgânica será definido em publicação específica.

Safra mundial deve ser maior

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, sigla em inglês) divulgou os dados de grãos para a safra 2008/2009. A estimativa é que sejam colhidos 2,2 bilhões de toneladas, montante 4,5% superior ao ciclo passado, que somou 2,1 bilhões de toneladas. O Brasil contribuirá com 140,3 milhões de toneladas, segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Em percentual, o País responderá por 6,3% da produção mundial.

AZEITE

Mapa quer definir padrão

O Ministério da Agricultura está discutindo uma forma de classificar o azeite de oliva consumido no Brasil. A meta é criar um padrão que identifique o produto e garanta a qualidade. As discussões contaram com técnicos de laboratórios, pesquisadores e representantes de importadoras e envasadoras de azeite. A padronização deve entrar em vigor no próximo ano e a intenção é coibir fraudes como a mistura de azeite com óleo de soja.

CACAU

Apelo ao consumo

O Brasil foi sede da reunião entre os participantes da Aliança dos Países Produtores de Cacau (Copal). Atualmente, a entidade é composta por dez países, entre eles Brasil, Costa do Marfim, Camarões e Gana. O encontro teve como tema políticas para incentivar o consumo do fruto. Também foi discutida a entrada de novos membros na Copal. O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, ficou incumbido de tentar atrair outros países da América Latina.

PRODUÇÃO AGRÍCOLA

Diagnóstico

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no final do ano passado dados referentes à produção agrícola em 2007. De acordo com o órgão, a produção agrícola ocupou uma área de 62,3 milhões de hectares, com ganhos de R$ 116,6 bilhões, valor que supera em 17,7% o resultado de 2006. Segundo o instituto, o aumento se deve principalmente ao crescimento da soja, da cana-de-açúcar e do milho. A soja rendeu R$ 25,8 bilhões, a cana-de-açúcar, R$ 19 bilhões e o milho, R$ 15,6 bilhões.

SUÍNOS

A discriminação russa

A visita do presidente russo, Dmitri Medvedev, não surtiu efeitos quanto à carne suína brasileira. O embargo russo ao produto brasileiro continua. Três semanas após a visita, veio a notícia de que as importações continuavam proibidas. Com a decisão russa de alterar o sistema de cotas, reduzindo o acesso a seu mercado e aumentando a tarifa extracota, o governo Medvedev não mantém a promessa de preservar o volume de comércio com o Brasil feita em 2005, por ocasião do apoio brasileiro à entrada do país na OMC.

SOJA

A ameaça da ferrugem

Os sojicultores estão em estado de alerta. A ferrugem volta a ameaçar as lavouras de soja. Em dezembro passado, a Embrapa identificou mais dois focos da doença na safra 2008/2009. Eles foram encontrados no município de Canarana, em Mato Grosso, e em Motividiu (GO). A doença foi detectada pela primeira vez na safra 2001/2002, se intensificou em 2002/2003 e explodiu em 2003/2004, causando um prejuízo da ordem de US$ 2 bilhões.

BRIGA POR TERRA

Famasul X Funai

Dácio Queiroz, diretor da Federação de Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul), acusou a Funai de falta de critérios. A crítica foi em razão da inspeção que funcionários do órgão junto com policiais federais fizeram à fazenda Caiman, propriedade dedicada ao turismo ecológico e de aventura. Segundo Queiroz, a Funai quer desapropriar a área e, para isso, mostrou uma ordem judicial vencida para entrar na fazenda.

EXPORTAÇÕES

Agronegócio exportou US$ 71 bilhões

As exportações do agronegócio em 2008 devem totalizar US$ 73 bilhões. O dado é de Eduardo Sampaio, diretor do Departamento de Promoção Internacional do Agronegócio do Ministério da Agricultura. Mesmo com a crise financeira, a receita teve uma alta expressiva. Até novembro, os embarques do setor alcançaram US$ 71 bilhões. Em 2007, os ganhos foram de US$ 58,4 bilhões.

EMPREGO NO CAMPO

Número de postos de trabalho em alta

O nível de emprego no campo atingiu o saldo de 33 mil vagas, melhor resultado desde 2004. O motivo foi o bom preço das commodities agrícolas no mercado externo, bem como o clima favorável para a produtividade. Este ano, o número de postos de trabalho deve ser menor, por causa da crise financeira. O período de maio a junho é o que concentra a maior taxa de empregos temporários.

CANA-DE AÇÚCAR

Sustentabilidade é a prioridade

Marcos Jank, presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), comenta o relatório da entidade e os desafios para o setor.

DINHEIRO RURAL – Por que um relatório no padrão Global Reporting Initiative (GRI)?

MARCOS JANK – Porque se torna uma ferramenta de gestão e ajuda a trazer à tona a imagem verdadeira do setor. O objetivo é dar transparência, trazendo informação da boa governança corporativa das associadas nos planos social, ambiental e econômico. Nós sentíamos que alguns associados tinham resistência. Mas cada vez mais estão querendo participar. Tanto que estamos com uma equipe a campo, dando assistência e treinamentos nas usinas para elas fazerem seus próprios relatórios.

RURAL – Todo setor tem suas ovelhas negras. O relatório traz os bons exemplos, mas como lidar com quem não faz as coisas do jeito certo?

JANK – É mostrar o que as ovelhas brancas estão fazendo. A fiscalização é outra forma e a legislação prevê isso. Quando existe trabalho infantil, trabalho escravo, é óbvio que precisa ser punido. Mas o que procuramos fazer na Unica é reconhecer aquelas usinas que se diferenciam, aquelas que fazem mais do que a legislação exige. Desejamos que as melhores influenciem as piores. É bom lembrar que o Brasil é um universo muito mais amplo do que a Unica. Mesmo que nós quiséssemos tratar do todo, não poderíamos. A Unica hoje tem 116 usinas associadas, mas o Brasil tem 380 usinas. Achamos que o relatório serve para que outras unidades sigam o exemplo.

RURAL – Quais os planos para 2009?

JANK -Temos vários, entre eles, vamos lutar por preços mais competitivos para a bioeletricidade. Também queremos desenvolver uma legislação específica para o etanol, totalmente desvinculada do petróleo. No exterior, estamos trabalhando para abrir mais um escritório, desta vez na China.