São Paulo, 27 – A peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) continua pressionando a produção global da carne suína, na avaliação do banco holandês de investimentos Rabobank. A instituição destaca em relatório que a doença é “particularmente prejudicial para a China” à medida que os preços sobem e os estoques caem, exigindo mais importações. “A Europa ainda enfrenta um excesso de oferta de carne suína, e isso se tornará uma questão particular se um surto de ASF atingir a produção e resultar em uma queda nas oportunidades de exportação”, analisa a entidade.

O banco observa também a intensa volatilidade dos preços da carne suína no país asiático, em decorrência da proibição de transporte de animais vivos causando diferenças nos preços regionais. Segundo o Rabobank, o declínio na produção local de carne suína pode ir de 2% a 15% do volume e, com isso, aumentar as importações de carne suína da União Europeia (UE), do Canadá e do Brasil. A instituição financeira não afastou a possibilidade, apesar dos embargos tarifários, de o mercado chinês ter de se voltar para compras de carne suína norte-americana para suprir a demanda.

O Rabobank acrescentou que a gravidade dos surtos da doença mostra que não há sinais de o mal ser eliminado, especialmente em suínos e aves. “Grandes surtos estão prejudicando os fluxos de comércio global e as preferências dos consumidores e, como resultado, esperamos ver uma mudança no consumo de carne e frutos do mar em alguns mercados”, disse a instituição. Além disso, o Rabobank considera que a biossegurança se tornará, nos próximos anos, uma prioridade maior nos negócios para os pecuaristas.

Para o Rabobank, a epidemia recente da febre suína pode acarretar aumento expressivo do consumo e, consequentemente, incremento nas importações de carne bovina em 2019. “Embora a carne bovina não seja um substituto importante para a carne suína, a escassez de oferta na China provavelmente também aumentará o consumo de carne bovina. Com a produção de carne bovina na China estagnada há alguns anos, o aumento do consumo de carne bovina exigirá a participação das importações de carne bovina. Todos os principais exportadores, incluindo países da América do Sul, Austrália, Nova Zelândia e alguns países europeus, se beneficiarão da elevação da demanda da China”, avalia a entidade.