05/04/2025 - 7:00
A China anunciou tarifas adicionais de 34% sobre os produtos dos EUA na sexta-feira, 4, a mais séria escalada em uma guerra comercial com o presidente Donald Trump, que alimentou os temores de uma recessão e desencadeou uma derrocada no mercado de ações global.
As taxas se somam às tarifas de 10% a 15% aplicadas a produtos agrícolas no valor aproximado de US$ 21 bilhões em março e ameaçam praticamente acabar com as dezenas de bilhões em comércio agrícola entre as duas nações.
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Confira um resumo desse comércio:
As exportações agrícolas dos EUA para a China caíram drasticamente durante a primeira guerra comercial, depois que Pequim impôs tarifas de até 25% sobre soja, carne bovina, carne suína, trigo, milho e sorgo em retaliação às tarifas sobre produtos chineses impostas por Trump.
Desde então, Pequim diversificou suas importações agrícolas, aumentando as compras de fornecedores liderados pelo Brasil e impulsionando a produção doméstica em busca de maior segurança alimentar.
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Como resultado, a China agora está usando os bilhões que ainda gasta anualmente com produtos agrícolas dos EUA como uma arma na escalada da guerra comercial , com menos risco para sua própria segurança alimentar.
A China continua sendo o maior mercado de exportação para os agricultores americanos. Os líderes e comerciantes agrícolas dos EUA descreveram a China como “insubstituível”, mesmo quando procuram mercados alternativos.
A China importou US$ 29,25 bilhões em produtos agrícolas dos EUA em 2024, uma queda de 14% em relação ao ano anterior, ampliando uma queda de 20% em 2023.
Soja
Cerca de metade da soja dos EUA, a maior exportação agrícola do país para a China, foi enviada para a nação asiática em 2024, totalizando US$ 12,8 bilhões em comércio, de acordo com dados dos EUA.

No entanto, a China tem dependido cada vez mais da soja brasileira, mais barata e abundante, para reduzir sua dependência dos suprimentos dos EUA. Isso fez com que a participação de mercado dos EUA na China caísse de 40% em 2016 para 21% em 2024, de acordo com dados da alfândega chinesa.
Milho
Os EUA foram o principal fornecedor de milho da China durante décadas, até que Pequim aprovou as compras brasileiras em 2022.
As importações chinesas de milho dos EUA caíram para US$ 561 milhões em 2024, de US$ 2,6 bilhões um ano antes, com o aumento da produção doméstica, de acordo com dados da alfândega chinesa.

Embora a demanda de milho da China tenha aumentado na última década para apoiar seu enorme setor pecuário, o Brasil ultrapassou rapidamente os EUA como o principal fornecedor da China.
Carnes e miudeza
A China é um mercado importante para as exportações americanas de coxas de frango, orelhas de porco e miúdos – produtos para os quais há pouca demanda nos Estados Unidos.
A China comprou US$ 2,54 bilhões de carne e vísceras dos EUA em 2024, abaixo dos US$ 4,11 bilhões em 2021.

Centenas de exportadores de carne dos EUA foram jogados em um limbo administrativo no início deste ano, quando a China permitiu que seus registros de exportação caducassem. Embora alguns tenham sido registrados novamente, muitos exportadores de carne bovina ainda estão sem licenças.
Algodão
A China é responsável por cerca de um quarto dos embarques de algodão dos EUA em valor.

As remessas de algodão dos EUA para a segunda maior economia do mundo ficaram em US$ 1,49 bilhão em 2024, abaixo dos US$1,57 bilhão em 2023, de acordo com os dados do U.S. Census Bureau, já que os ventos contrários econômicos reduziram a demanda por têxteis e vestuário.
Sorgo
As importações chinesas de sorgo dos EUA aumentaram ligeiramente, mas o país está tentando reduzir sua dependência do grão para ração americano, que é usado principalmente como substituto do milho.
A China importou US$1,73 bilhão em sorgo dos EUA em 2024, acima dos US$ 1,52 bilhão em 2014.

As exportações de sorgo dos EUA para a China estão enfrentando forte concorrência da Austrália e da Argentina, além do milho brasileiro, quando este está mais barato.
Trigo
A China importou quase US$ 600 milhões em trigo dos EUA em 2024, o maior valor em três anos. Mas a China reduziu as importações gerais de trigo nos últimos meses em meio a uma ampla oferta local, o que provavelmente afetará os embarques dos EUA.

27/08/2015
REUTERS/Ilya Naymushin