Primavera do Leste (MT), 17/5 – O produtor rural Alexandre Lopes, que na segunda safra de milho (safrinha) cultivou 1 mil hectares no município de Campo Verde (MT), a 140 quilômetros de Cuiabá, está apreensivo com as negociações envolvendo o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural (Funrural). “Se tivermos de pagar o retroativo, não sei como vai ser”, disse. Pelos seus cálculos, produtores como ele, que produzem em 1,5 mil hectares – além de milho, Lopes também semeia 500 hectares de algodão -, teriam de arcar com mais de R$ 5 milhões não recolhidos nos últimos anos.

Em reunião na segunda-feira, 15, entre o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e a bancada ruralista da Câmara dos Deputados, ficou acertado que o governo vai reduzir de 2,3% para 1,5% a alíquota da contribuição do Funrural. Para quem ainda tem débitos, a alíquota continuará em 2,3%, sendo que 0,8 ponto porcentual será para o pagamento do passivo, estimado em R$ 10 bilhões.

Quem não tem, já levará em conta o 1,5%. Todo o pagamento será feito a partir de 2018, podendo se estender por 20 anos. O acerto da Medida Provisória aparentemente está fechado entre ruralistas e o governo e agora aguarda publicação no Diário Oficial da União.

Mas se há preocupações quanto ao Funrural, sobra confiança com relação à safrinha deste ano. “Estamos caminhando para uma safra que promete. O desenho climático tem nos mostrado uma produção boa, razoável”, destacou Lopes, que foi visitado ontem pela Equipe 10 do Rally da Safra, com a participação do Broadcast Agro, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado.

De acordo com ele, a produtividade de suas lavouras deve superar 100 sacas por hectare. No caso do algodão, que ocupa a primeira parte da janela de plantio na região, no fim de janeiro e início de fevereiro, o rendimento pode bater em 300 arrobas por hectare em algumas áreas, acrescentou.

Para Lopes, que planta em Campo Verde desde 1999, a saca de milho deveria valer hoje R$ 23 para cobrir os custos de produção, mas na região o produto iniciou a semana cotado a menos de R$ 18 a saca.

*O jornalista viaja a convite da Agroconsult