08/02/2026 - 8:00
O agronegócio brasileiro consolidou um marco histórico ao encerrar 2025 com novos recordes de exportação de frutas pelo país. Pelo terceiro ano consecutivo, as vendas externas apresentaram crescimento, somando US$ 1,4 bilhão em valor de exportação (FOB) e de 1,3 milhão de toneladas exportadas. O desempenho representa uma alta de 11% em receita e 20% em volume na comparação com o ciclo de 2024. A análise é do Radar Agro do Itaú BBA, com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O relatório do Itaú BBA aponta que o mercado manteve o vigor mesmo em um cenário externo desafiador, com o tarifaço implementado pelos Estados Unidos. A recuperação da produção nacional e a forte demanda europeia se mostraram decisiva para mitigar perdas.
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A União Europeia permaneceu sendo o destino mais relevante para as frutas brasileiras, com 62%, seguido do Reino Unido (16%) e Argentina (7%).
Confira o ranking das 10 frutas mais exportadas pelo país em 2025 e suas receitas
- Manga: US$ 335,1 milhões
- Melão: US$ 231,5 milhões
- Limão e Lima: US$ 199,2 milhões
- Uva: US$ 158,6 milhões
- Melancia: US$ 115,6 milhões
- Mamão: US$ 74,9 milhões
- Abacate: US$ 48,7 milhões
- Banana: US$ 32,6 milhões
- Maçã: US$ 14,7 milhões
- Figo: US$ 8,9 milhões
A manga apresentou avanço no volume exportado, passando de 258 mil t em 2024 para 290 mil t em 2025, aumento de 13%. Apesar disso, as tarifas aplicadas pelos EUA pressionaram o preço médio e resultaram em queda de 4% na receita.
O melão encerrou 2025 com 283 mil t exportadas, avanço de 16% no volume e 25% na receita. A redução da área produtiva da Espanha abriu espaço adicional para exportações brasileiras durante a entressafra europeia.
Para o limão, o volume enviado aumentou 16%. A procura da União Europeia permaneceu forte e a abertura de novos mercados, como Cazaquistão e Malásia, reforçou o desempenho. O Brasil se consolidou como o 5º maior exportador mundial da fruta.
Já a uva totalizou 62 mil t enviadas, gerando US$ 158 milhões. Apesar das limitações impostas pelas tarifas, a melhora da safra em 2025 garantiu maior disponibilidade e melhor qualidade, sustentando os embarques.
A melancia registrou resultado recorde, somando 185 mil t. A menor oferta em países concorrentes, especialmente na América Central, ampliou a participação brasileira. Outras frutas também apresentaram crescimento relevante em receita: mamão (29%), abacate (34%), banana (50%) e maçã (53%).
Importações aumentaram 5%
Paralelamente, as importações de frutas pelo Brasil aumentaram 5%, totalizando US$ 1 bi, o que resultou em uma balança comercial positiva, com superávit de US$ 423 milhões, considerando frutas frescas e secas e excluindo castanhas e nozes.
Confira ranking das 10 frutas mais importadas em 2025
1. Maçã (Frescas): US$ 233,2 milhões
2. Pera (Frescas): US$ 158,9 milhões
3. Kiwi (Frescos): US$ 98,7 milhões
4. Uva Seca (Passas): US$ 65,4 milhões
5. Morango Congelado: US$ 43,8 milhões
6. Laranja (Frescas ou Secas): US$ 37,5 milhões
7. Ameixa Seca: US$ 34,5 milhões
8. Cereja (Frescas): US$ 24,8 milhões
9. Coco (Frescos ou Secos): US$ 20,5 milhões
10. Mandarina / Uva Fresca: US$ 16,4 milhões (empatadas)
No caso da maçã, o volume total importado em 2025 apresentou redução de 9%, acompanhada de queda de 11% na receita. O movimento ocorreu devido à recuperação gradual da safra nacional, que diminuiu a necessidade de importações. Para 2026, as projeções seguem positivas, já que é esperado novo avanço na recuperação dos pomares, o que deve garantir maior disponibilidade para exportações e menor demanda por importações ao longo do ano.
Para as peras, a limitação da produção nacional em atender plenamente o consumo doméstico mantém a necessidade de importações, com destaque para a Argentina como principal fornecedor. Em 2025, o volume importado registrou leve redução de 2% e a receita apresentou queda de 3%, refletindo ajustes marginais no fluxo de entrada da fruta.
No caso dos kiwis, as importações provenientes de Chile, Grécia, Itália e Nova Zelândia seguiram em expansão em 2025, com aumento de 3% no volume e de 10% no valor importado. A produção nacional da fruta permanece insuficiente e enfrenta desafios climáticos que elevam custos e limitam a oferta.
Impacto das tarifas dos EUA
A imposição tarifária anunciada em julho e operacionalizada em agosto elevou a alíquota total para 50%, resultado da junção da tarifa pré-existente de 10% com o acréscimo de 40%.
Os efeitos foram mais intensos sobre manga e uva, que são as frutas mais enviadas para os EUA e dependem de forma mais direta da janela de exportação norte-americana.
Em 2025, houve queda na participação dos EUA como destino para ambas. A participação dos EUA nas exportações brasileiras de manga fechou o ano em 13%, contra 14% em 2024, apesar do volume enviado ter sido maior, diante de uma boa safra nacional.
No caso da uva, o impacto foi mais expressivo: a participação do país norte-americano caiu de 23% para 6,7% saindo de um total de 13.825 t enviadas em 2024 para apenas 4.159 t em 2025.
Para a manga, a dificuldade de redirecionamento decorre do fato de a variedade Tommy não ter aceitação relevante em mercados como o europeu, que prioriza a variedade Palmer.
A uva, por sua vez, possui maior flexibilidade para diversificação de destinos, o que permitiu os embarques à União Europeia. Em novembro, as tarifas de 50% caíram para as mangas e frutas tropicais, mas se mantiveram para a uva.
