01/02/2011 - 0:00
Pecuaristas do Vale do Ribeira, no interior de São Paulo, têm à disposição um saboroso alimento para os bovinos. Conhecida pela produção do palmito pupunha, com cerca de 450 produtores e 11 milhões de pés, a região foi alvo de uma pesquisa da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta) que concluiu que os resíduos gerados da extração e jogados no lixo podiam compor a alimentação do gado e de outros ruminantes.
Refeição balanceada: uso dos resíduos triturados na alimentação do rebanho se mostrou mais saudável do que o capim
A pesquisa, que vem sendo feita há dez anos, é liderada por José Evandro de Moraes. Nasceu com a proposta de encontrar uma solução sustentável para o destino da casca do palmito. No final, os pesquisadores verificaram que ela é rica em minerais e pode ser oferecida a algumas espécies animais, principalmente a bovina. Amostras do material in natura revelaram uma porcentagem entre 9% e 12% de proteína bruta. No comparativo com a braquiária, a variação encontrada em pastos costuma ficar entre 5% e 6%. Isso sem contar que a casca da pupunha tem maior teor de nitrogênio e baixa quantidade de lignina – uma fibra que o animal não consegue digerir, segundo o pesquisador. “Além do valor nutricional, a reutilização dos resíduos é uma alternativa sustentável para alimentação animal”, explica.
Os primeiros resultados animaram o pecuarista Mauro José Mendes. Há três anos ele utiliza os resíduos triturados para alimentar suas 40 cabeças de girolando. “Quanto mais elementos pudermos reutilizar para produzir com sustentabilidade, melhor”, afirma. O pecuarista conta que a aceitação dos animais foi tão boa que hoje quase 100% da alimentação do rebanho é feita com os resíduos. “Complemento com um pouco de sal e farelo”, explica o produtor, que pega em média 1,2 tonelada de resíduos por dia em uma fábrica próxima de sua propriedade, sem pagar nada. A prática tem sido bem vista pelas empresas, já que a destinação de resíduos era um problema. Para cada tolete de palmito, só 30% é utilizado pela indústria. “O resto ia para o lixo”, comenta Moraes.
11 milhões de pés
Da palmeira produtora do palmito pupunha estão no vale do ribeira
Com a experiência bem-sucedida em alguns rebanhos, o pesquisador da Apta diz que o próximo desafio é incentivar os agricultores a produzir com mais qualidade. Para isso, é preciso firmar parcerias que incentivem a correção do solo e a adubação correta. Colhem-se como resultado palmitos e resíduos mais nutritivos e maior valor agregado para todos os elos da cadeia. “Assim fecharíamos um ciclo sustentável de produção”, prevê o pecuarista Mauro José Mendes. O projeto da Apta ajudaria a impulsionar a atividade na região.