01/01/2012 - 0:00
A americana Elanco anuncia investimentos de R$ 20 milhões em
pesquisas para aumentar a produtividade do rebanho bovino do Brasil
Eficiência no campo: estudos vão render novas vacinas e medicamentos para a saúde animal
Com quase 190 milhões de bovinos – cerca de um animal para cada habitante, o Brasil é dono do maior rebanho comercial do mundo. No entanto, o País produz apenas 9,7 milhões de toneladas de carne in natura, enquanto os Estados Unidos conseguem produzir 12 milhões de toneladas de carne, com metade do gado criado aqui. É que na terra do Tio Sam, as poucas áreas de pastagens e o clima frio em boa parte do ano fizeram com que a produtividade viesse de altos investimentos em tecnologia de confinamento de gado. Já no Brasil, com mais de 170 milhões de hectares de pastagens abundantes, em área tropical, a história é outra.
O Brasil pode dar-se ao luxo de usar a técnica do confinamento apenas no período de seca, quando as pastagens ficam pobres em nutrientes, e abusar da criação a pasto, com custo de produção muito menor do que nos Estados Unidos. Hoje, o País poderia não só zerar a conta em relação aos americanos, como ultrapassar a sua produção, caso investisse em tecnologia para a produção de gado a pasto. É justamente de olho nesse mercado que a multinacional Elanco Saúde Animal, braço da Eli Lilly and Company – o maior laboratório farmacêutico americano para saúde humana –, com sede no Estado de Indiana, vai investir R$ 20 milhões até 2014, no Brasil. O montante será para pesquisa e desenvolvimento de produtos destinados ao aumento da eficiência animal, nos setores de aves, suínos e especialmente para a pecuária. “O Brasil tem as melhores churrascarias do mundo”, disse Willian Weldon, vice-presidente global da Elanco. “Agora, precisa também ter a melhor carne do mundo.”
WELDON: o vicepresidente global diz que o País precisa investir mais
Para desenvolver as tecnologias que podem contribuir com o desenvolvimento do rebanho nacional, a Elanco criou no final do ano passado uma unidade de pesquisa em São Paulo. “Tratase de um centro de inteligência”, afirma Weldon. “Não vamos construir laboratórios na cidade.” Segundo Brandon Carter, diretor do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Elanco Brasil, a ideia é replicar no País o sistema de inovação aberta, um modelo adotado nos Estados Unidos, na China e na Europa. O modelo visa manter redes de pesquisa em parceria com centros especializados como a Embrapa ou a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq/USP), bem como o uso de seus laboratórios. “Vamos unir conhecimento por meio de parcerias público-privadas”, diz Carter. “Esse é um tipo de ação muito simples, mas pouco usual no Brasil.”
Além das parcerias público-privadas, a Elanco também tem um modelo pronto de trabalho conjunto entre empresas. Com a Cargill, outra gigante do agronegócio, foi desenvolvida nos Estados Unidos a tecnologia do Palomys. O produto, à base de ácidos graxos de coco e óleo de palma, aumenta o valor nutricional das rações. Segundo Weldon, a Cargill desenvolveu a fase inicial do produto e a Elanco entrou na etapa final. “Temos um acordo global, no qual a Elanco distribui o Palomys no mundo”, diz. Além das firmadas no Brasil, a Elanco mantém ainda parcerias para pesquisa na Austrália, no Canadá, no Japão, no México e na Nova Zelândia. A Elanco aplica entre 9% e 11% do faturamento global de US$ 1,4 bilhão em pesquisa de novas vacinas e medicamentos nas áreas de sanidade e reprodução animal. A empresa tem no Brasil 7% das vendas totais, seu segundo maior mercado, atrás apenas dos EUA.