Pode até parecer brincadeira, mas não é. Saber o que se passa na fazenda vai muito além do trabalho das máquinas no campo ou dos índices agronômicos. É nos detalhes do trabalho diário que o agricultor pode vencer a batalha de uma safra. Por exemplo: você saberia dizer qual o nível de absorção de água de seus talhões? Ou mesmo qual a umidade relativa do ar (afinal, dela depende o desenvolvimento de fungos como a ferrugem da soja)? Ou como está a taxa de nutrientes do solo? A velocidade do vento pode atrapalhar na pulverização das lavouras e assim por diante. E acredite: para resolver esse tipo de questão, não basta brincar de fazer agricultura, é preciso tecnologia.

Segundo o fitopatologista José Tadashi, da Fundação Mato Grosso, considerado um dos pais da soja do Brasil, monitorar esses dados é uma grande saída para se montar uma estratégia, seja para realizar a pulverização, seja na compra de defensivos. A verdade é que há no mercado uma série de aparelhos munidos de sensores que podem fazer esse trabalho e prover o agricultor de dados, a exemplo do que faz a Campbell Scientific.

A empresa, uma multinacional americana, cuja participação do mercado brasileiro supera 60%, dá a dica de que é possível medir quase tudo numa fazenda. “Desde o plantio até a colheita, o agricultor pode acompanhar em tempo real o que acontece em sua propriedade”, explica o diretor comercial da companhia, Adrea Daho.

Solo: o controle dos nutrientes do solo propicia uma colheita mais abundante e o produtor tem como acompanhar

Segurança: não custa lembrar que tecnologia nenhuma substitui o uso de equipamentos de proteção no campo

Controle do vento: sem o acompanhamento da velocidade do vento, pode haver perdas na pulverização de defensivos

Muita água: a colheita do milho e da soja depende de níveis

adequados de umidade, que devem ser acompanhados

Um dos argumentos está na economia com insumos. “O produtor pode calcular com precisão a época de plantio, o tipo de cultura, tudo baseado nos dados agroclimáticos da fazenda”, afirma. O sistema é relativamente simples. Alimentadas por painéis solares que recarregam suas baterias ao longo do dia, as estações são equipadas com sensores capazes de medir a velocidade e a direção do vento, a radiação solar, a precipitação pluviométrica, a temperatura e a umidade do ar e do solo, entre outros.

R$ 26 mil é quanto custa uma estação capaz de medir diversos índices, desde o vento, a chuva e até sequestro de carbono

As informações são armazenadas em um software, que produz um banco de dados para o produtor. Com os dados colhidos é possível fazer um planejamento mais adequado das necessidades da fazenda. “O produtor tem um histórico de dados da fazenda. Ele sabe de quanto o solo necessita de nutrientes, quais as épocas mais prováveis para chuvas, e pode planejar melhor seu plantio, a compra de insumos, etc”, explica Daho, que garante que a tecnologia possibilita ganhos em várias etapas da produção.

A economia no uso de defensivos, por exemplo, pode chegar a 30%. No caso de uso de adubos nitrogenados, a redução é de 20% e calculamos outros 15% de redução nas perdas na colheita de grãos. Além disso, a ferramenta pode auxiliar produtores com certificações, já que os sensores são 32 capazes de medir também os gases emitidos pela fazenda. “É possível saber o nível de emissão de CO2, assim o produtor sabe se a cultura que produz é emissora ou consumidora desse gás”, exemplifica.

O custo de um equipamento desse tipo gira em torno de R$ 26 mil. “A quantidade de equipamentos varia conforme a característica da região. Para o consultor da AgraFNP, José Vicente Ferraz, todas essas tecnologias serão de uso comum num futuro próximo. “Mas não adianta ir para o mais complexo sem antes fazer o simples, como treinar os funcionários, inclusive em aspectos de segurança do trabalho, que podem se transformar em custos elevados para a fazenda”, diz. Segundo ele, com todos esses dados em mãos, a agricultura pode até parecer uma grande brincadeira.