A s estimativas estão acessíveis para quem quiser consultá-las. Dados da Organização das Nações Unidas para a Agricultura (FAO, sigla em inglês) apontam que em 50 anos o mundo precisará do dobro de alimentos produzidos hoje. No entanto, com os níveis de produtividade atuais, a área agricultável disponível no globo não será suficiente para matar a fome de toda a população.

A solução está no aumento do volume colhido por hectare, causa nobre que resultou na criação do Comitê Estratégico Soja Brasil (Cesb). Formada por pesquisadores, empresas e produtores, a entidade surgiu já com o alvo muito bem estabelecido: alavancar a produtividade média de soja no Brasil de 2.600 para 4.000 quilos por hectare até 2012, ou seja, um incremento de 53,8%. Tarefa impossível? Não é o que acreditam os membros do Cesb. “No Brasil, já temos produtores que ultrapassam os 4.000 quilos, mas o nosso objetivo é elevar a média nacional para esta meta”, diz Eltje Jan Loman Filho, presidente do Cesb.

Os números mostram que, nas últimas décadas, a produtividade tem sido a chave de ouro para o Brasil elevar sua produção. Segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em 1976 a produtividade de soja no País era de 1.748 quilos por hectare. De lá para cá, o Brasil teve um crescimento de 48,7% passando a produzir 2.600 quilos por hectare na safra 2008/2009 e já está perto da média norte-americana, que foi de 2.865 na safra 2008/2009.

Neste contexto, José Negreiros, gerente substituto de levantamento e avaliação de safras da Conab, acredita no potencial nacional para atingir a meta do Cesb. “Isso vai depender da variável clima e vai exigir bastante eficiência: sementes melhoradas, insumos de qualidade”, diz.

A estratégia do Cesb para acertar o alvo envolve a identificação dos gargalos e difusão das novas tecnologias. No primeiro aspecto, os principais fatores são a falta de visão empresarial do produtor, dificuldade na hora de decidir que tecnologia adotar e assistência técnica precária. No quesito acesso às novas tecnologias, o Cesb quer ser uma plataforma de divulgação, já que as novidades estão pulverizadas de norte a sul do País.

Para envolver o produtor, o comitê criou um concurso: é o Programa Nacional Máxima Produtividade de Soja para a safra 09/10 cujas regras estão disponíveis no www.cesbrasil.org. Para formatar o concurso, o Cesb fez um projeto piloto que reuniu 140 sojicultores, de 11 Estados. O vencedor foi Guilherme Ohl, de Primavera do Leste, em Mato Grosso. De acordo com a Conab, o Estado tem a melhor produtividade média do Brasil: 3.000 quilos por hectare a um custo médio de R$ 2.050.

Reconhecimento:

O produtor Guilherme Ohl (à esq.) foi o vencedor do projeto piloto de produtividade

Na safra 08/09, Ohl reservou o melhor hectare de sua propriedade para o experimento do Cesb e alcançou a produtividade de 82,8 sacas, o correspondente a 4.968,6 quilos por hectare. A área era extremamente fértil, o que reduziu os gastos com adubação. O custo foi o equivalente a 46 sacas por hectare.

O agricultor atribui o resultado ao clima favorável, à escolha das sementes e aos cuidados na hora de semear. “A semeadura é 80% da lavoura, porque, como já diz o ditado, pau que nasce torto…”, explica. Enfim, os levantamentos apontam que, se o clima ajudar, há grande chance de a maioria dos sojicultores brasileiros chegar a 2012 com produtividade de 4.000 quilos por hectare. Se isso acontecer, os mesmos 48 milhões de hectares de soja plantados no Brasil poderão render uma colheita de 191 milhões de toneladas, 60 milhões a mais do que o volume colhido na safra 2008/2009.