No forno: base governista quer evitar quebra de sigilo bancário das lideranças do movimento

A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) está parecendo piada. O primeiro episódio foi a dificuldade de se instaurar a CPI, fato conseguido em outubro do ano passado. Mas as festas de final de ano empurraram os trabalhos para o início de 2010. Esperava-se que a primeira medida fosse a quebra do sigilo bancário de entidades suspeitas de financiar os sem-terra. Mas não foi o que aconteceu. Os trabalhos tiveram início na quarta-feira que antecedeu o Carnaval, mas os integrantes da comissão se restringiram à aprovação de 66 dos 148 requerimentos para investigar os repasses de recursos públicos aos cofres das entidades ligadas aos sem-terra. A quebra do sigilo bancário foi deixada de lado por ter sido considerada “polêmica”.

Aliados ameaçam retaliar a CNA e outras entidades ligadas ao campo

Sobre o assunto, o presidente da CPMI do MST, o senador Almeida Lima (PMDB-SE), declarou: “É de bom tom deixar esse debate para mais à frente. Poderá nem ser na próxima sessão, diante da necessidade de dar continuidade aos requerimentos que foram objeto de aprovação hoje (referindo-se à primeira reunião do ano)”. Mas os ânimos estavam exaltados. O deputado Ivan Valente (Psol-SP) logo retrucou dizendo que não iria aceitar a criminalização do MST. Ele ainda criticou Lima por ter comparecido a um evento da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

“Para haver quebra de sigilo bancário de entidades ligadas ao MST, também será pedida a quebra de sigilo da CNA e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar)”, declarou Valente. Agora, o próximo passo da comissão será ouvir os ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, bem como o Tribunal de Contas da União. No entanto, por ser ano eleitoral, os trabalhos têm que ser acelerados. Caso contrário, tudo acabará em pizza.