O governo de São Paulo anunciou nesta sexta-feira (29) que a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), empresa responsável pelo fornecimento de água e pela coleta e tratamento de esgoto em 377 municípios paulistas, vai reduzir o volume de retirada de água do Sistema Cantareira. O volume autorizado de retirada do sistema vai agora passar de 31 metros cúbicos por segundo (m3/s) para 27 m3/s.

O Cantareira é o principal e maior reservatório de São Paulo e vem apresentando um nível de armazenamento muito baixo por causa da falta de chuvas – que tem apresentado índice abaixo da média histórica na região. Nesta sexta-feira, o nível do reservatório chegou a 35% de volume útil, nível considerado de alerta.

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A redução no nível de retirada de água do Cantareira foi determinada pela Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) e pela Agência de Águas do Estado de São Paulo (SP Águas), que acompanham diariamente os dados de níveis, vazões e armazenamento do reservatório.

Em resolução de 2017 ficou estabelecido que a captação de água do Sistema Cantareira fosse condicionada ao nível de armazenamento de água do manancial observada no último dia de cada mês.

Desde então, foram criadas cinco faixas:

  • normal, quando o nível do reservatório é igual ou maior que 60%;
  • atenção, quando é igual ou maior que 40% e menor que 60%;
  • alerta, quando está maior que 30% e menor que 40%;
  • restrição, quando é maior que 20% e menor que 30%; e
  • especial, quando o volume acumulado é menor que 20%.

Estas são as faixas que orientam os limites de retirada de água do sistema.

A medida desta sexta-feira foi a segunda anunciada esta semana com o objetivo de diminuir o uso de água durante o período de escassez hídrica.

Na segunda-feira (25), o governo paulista já havia anunciado que iniciaria um processo de redução da pressão da água durante a madrugada na região metropolitana de São Paulo. A medida teve início na quarta-feira (27) e ocorre diariamente das 21h às 5h.

Segundo o governo, ela vai continuar em funcionamento “até que sejam recuperados os níveis dos reservatórios que abastecem a região metropolitana”.

Por meio de nota, a ANA informou que a situação observada no Cantareira não ocorria desde 2022.

“O Sistema Cantareira, principal manancial de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, passará a operar na Faixa 3 – Alerta a partir de 1º de setembro, o que não ocorria desde dezembro de 2022”, informou a agência reguladora.

Cantareira

O Sistema Cantareira é composto por cinco reservatórios interligados – Jaguari, Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro – com volume útil total de 981,56 bilhões de litros. Desde 2018, conta também com a interligação entre a represa Jaguari, no Rio Paraíba do Sul, e a represa Atibainha.

O sistema abastece cerca de metade da população da região metropolitana de São Paulo e, segundo a ANA, contribui para o atendimento dos usos múltiplos da água, com destaque para o abastecimento de Campinas, nas bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí.