01/03/2008 - 0:00
Até o início do ano passado a empresa mineira ABC Inco S/A, braço agrícola do grupo Algar, era desconhecida dentro do mercado de soja no Nordeste. Atraída pelo bom clima e proximidade do porto e da Ferrovia Norte-Sul, a empresa viu nessa região a oportunidade de alavancar seus negócios. O foco principal estava em três Estados: Maranhão, Piauí e Tocantins, região conhecida como Mapito, a mais importante fronteira agrícola do Norte/Nordeste. Segundo dados da Companhia Nacional de Abastecimento, o Mapito produz cinco milhões de toneladas de soja, ou pouco menos de 10% da safra brasileira. E a ABC Inco aproveitou essa vocação. Menos de um ano depois de sua instalação, ela compra 35% de toda a soja produzida nos três Estados. A região também é apontada como responsável pelo salto no faturamento da empresa, de R$ 734 milhões em 2007. Embora satisfeita com os resultados, a empresa quer ir mais longe. Segundo Luiz Gonzaga Maciel, presidente da ABC Inco, a meta é que, até o fim de 2008, o faturamento chegue a R$ 1 bilhão. “Temos planos de crescer muito na região. Acredito que até o fim do ano o Mapito responda por 35% do nosso faturamento”, diz.
O otimismo da empresa tem fundamento. Afinal, ela colhe os resultados de um investimento de R$ 130 milhões na construção de uma esmagadora com capacidade para o beneficiamento de 500 mil toneladas de soja por ano, em Porto Franco, no Maranhão, que somada à unidade de Uberlândia (MG), com capacidade para 600 mil toneladas, fez seu volume dobrar. Com quase 30 anos de atuação na produção de óleo e farelo de soja, onde possui 30% do mercado de Minas Gerais, a empresa quer disputar espaço com gigantes, como Bunge e Cargill. Para isso, novos investimentos estão em curso.
Nos planos está a construção, ainda neste ano, de uma refinaria de óleo acoplada à unidade do Maranhão e investimentos em um terminal portuário no porto de Itaqui, em São Luís (MA). Mesmo sem revelar o valor desses novos investimentos, Maciel não esconde a intenção de avançar na região. “Nossos investimentos estão centrados no Nordeste e o Maranhão tem um papel estratégico”, diz. De fato, o Estado tem funcionado como um trampolim para a empresa. “O Maranhão possui boa logística, com ligação com o Piauí, Tocantins e a parte nordeste de Mato Grosso, com uma vocação natural de escoação pelo porto de Itaqui, em São Luís”, afirma o executivo.
PRODUTORES QUE VIERAM DO SUL DO PAÍS, COMO RENATO E JOSÉ FIGUEIREDO, FORNECEM O GRÃO PARA A ABC INCO, DO EXECUTIVO LUIZ GONZAGA MACIEL
Não só as indústrias perceberam oportunidades na região Nordeste. Produtores de outras regiões também começam a migrar para esses Estados.
É o caso do sojicultor Renato César Figueiredo, que, junto de seu pai, José Figueiredo, há quatro anos deixou o Paraná para buscar oportunidades no Tocantins, próximo à divisa com o Maranhão. Hoje, 100% da soja que produz em sua área de 550 hectares é vendida para a ABC Inco e, mesmo sem revelar o valor pago pela empresa, ele assegura que o negócio tem sido vantajoso. “Estou tendo rentabilidade maior do que tinha no Paraná.” Até onde irá a força da ABC Inco nessa região, só o tempo dirá. Mas, se depender do apetite da empresa, eles podem vir a se tornar os donos da soja do Nordeste.